Imagem destacada - Produtor dos EUA relata ganhos ao adotar certificação regenerativa-orgânica na fazenda

O produtor norte-americano Ben Palen, quinta geração de agricultores e principal executivo da consultoria Ag Management Partners, relatou que iniciar o processo de certificação regenerativa-orgânica diretamente na fazenda tem gerado benefícios financeiros e ambientais.

Quem é o produtor

Palen cultiva “várias milhares” de acres nos estados do Kansas e do Colorado e atua há cerca de 40 anos com práticas de plantio direto. O agricultor também mantém projetos orgânicos e presta consultoria a investidores interessados em estratégias de valor agregado no agronegócio.

Práticas adotadas

Segundo o produtor, a transição começou com a mudança do sistema de rotação trigo/pousio, que envolvia intensa mobilização do solo, para um modelo com diversas culturas sob plantio direto ou mínimo revolvimento.

Entre as ações destacadas estão:

  • Modelo de trigo de baixa emissão de carbono, com pegada cerca de um terço inferior à média regional.
  • Monitoramento de matéria orgânica do solo e de carbono sequestrado por meio de medições de campo.
  • Uso moderado de fertilizantes em áreas não orgânicas, priorizando dose, época e localização.

Certificações e parceiros

A fazenda trabalha com o California Certified Organic Farmers (CCOF) e a empresa Regenified para comprovar práticas regenerativas. Em 2023, o processo de certificação com a Regenified rendeu um prêmio adicional pela venda de trigo orgânico a seu principal comprador, valor que, segundo Palen, tende a crescer conforme os resultados sejam documentados.

Desafios regionais

Na área onde atua, a precipitação anual é de 16 a 17 polegadas (aproximadamente 406 a 432 milímetros), quase metade do volume registrado no cinturão do milho norte-americano. Por esse motivo, o uso de plantas de cobertura — comum em programas regenerativos — foi considerado inviável, pois a umidade necessária comprometeria a rentabilidade da cultura principal.

Parâmetros sugeridos

Para validar alegações regenerativas, Palen propõe metas como:

  • Redução de 20% no uso de fertilizantes em áreas convencionais.
  • Aumento de 5% na matéria orgânica do solo a cada dois anos em áreas orgânicas.
  • Elevação de 10% no carbono sequestrado no solo.

Mercado e expectativas

O produtor afirma que há interesse crescente de investidores que buscam melhorar indicadores ESG por meio de grãos de baixo carbono. Ele também cobra das empresas compradoras compromisso financeiro com os agricultores que adotam práticas regenerativas.

Embora reconheça avanços — como os programas do Instituto Rodale —, Palen aponta que cortes federais em iniciativas climáticas durante o governo Trump atrapalharam parte dos esforços em andamento.

O agricultor conclui que a consolidação de padrões flexíveis, ajustados a diferentes condições de solo e clima nos Estados Unidos, pode ampliar a credibilidade da certificação regenerativa-orgânica e incentivar mais produtores a aderirem.

Com informações de AgFunderNews

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