O emprego de inteligência artificial por executivos de bens de consumo (CPG) na produção de alimentos avançou 69% em relação ao ano passado, aponta relatório da consultoria Bright Green Partners, sediada em Amsterdã.
Mercado em expansão
O estudo projeta que o segmento de IA aplicada ao processamento de alimentos crescerá de cerca de R$ 82,5 bilhões em 2025 para aproximadamente R$ 770 bilhões em 2034, com taxa composta anual de 28%.
Entre os líderes de companhias do setor, 71% já utilizam ferramentas de IA, ante 42% em 2024. Esse avanço dá às grandes empresas posição de destaque antes ocupada por startups.
Ganho de velocidade e precisão
A Bright Green Partners destaca que ferramentas generativas permitem acelerar o ciclo de formulação de produtos. A Nestlé, por exemplo, gerou mais de 1.300 conceitos em três semanas — tarefa que levaria meses — e cerca de 30 deles seguiram para o pipeline.
Modelos preditivos tornam mais confiável a combinação de ingredientes, prevendo propriedades como geleificação e emulsificação sem comprometer textura ou sabor. Sensações de paladar, crocância ou derretimento também podem ser simuladas para otimizar alternativas a carnes, laticínios, bebidas e pratos prontos.
Obstáculos internos
Apesar do avanço, a consultoria alerta que processos de P&D isolados, aversão a riscos e carência de competências digitais ainda dificultam a integração total da IA. O uso excessivo de modelos genéricos também pode resultar em produtos parecidos entre si, tornando indispensáveis dados proprietários e a criatividade humana.
“A IA não é excelente para criar do zero, mas sim para aprimorar o que já existe”, resume um especialista ouvido no levantamento.
Papel das startups
O relatório cita empresas que oferecem soluções específicas para corporações:
- NotCo – utiliza IA no desenvolvimento de produtos em parceria com indústrias como a Kraft Heinz;
- HowGood – apoia o rastreamento de sustentabilidade em cadeias produtivas;
- Brightseed – mantém banco de compostos vegetais e prevê benefícios à saúde em alimentos;
- Shiru – aplica IA para descobrir ingredientes que estimulem naturalmente a produção de GLP-1.
Segundo a Bright Green Partners, a combinação de dados robustos, especialistas humanos e sistemas de IA deve definir quem transformará essas promessas em impacto comercial nos próximos anos.
Com informações de AgFunderNews