A DJI, responsável por cerca de 80% dos drones de pulverização utilizados por agricultores norte-americanos, corre o risco de não poder lançar novos modelos nos Estados Unidos e, em um cenário extremo, ter autorizações já concedidas revogadas a partir de 23 de dezembro. O impasse decorre de uma cláusula incluída no orçamento de defesa dos EUA que determina uma auditoria de segurança para fabricantes chinesas de drones, entre elas DJI e Autel.
O dispositivo legal determina que um órgão federal avalie se as empresas representam ameaça à segurança nacional. Caso nenhum relatório seja apresentado até a data-limite, as duas companhias serão inseridas na Covered List da Comissão Federal de Comunicações (FCC), lista que reúne equipamentos considerados de “risco inaceitável”.
Licenças futuras e modelos atuais em jogo
Ao entrar na lista, DJI e Autel ficariam impedidas de obter novas licenças da FCC. Além disso, decisão da própria agência, tomada em 28 de outubro, dá ao órgão o poder de reavaliar – e eventualmente revogar – certificações já emitidas.
“Qualquer revogação não seria automática; cada produto precisaria passar por um novo processo formal”, explicou Adam Welsh, chefe de políticas globais da DJI. Segundo ele, a medida não afetaria equipamentos já nas mãos de usuários, mas impediria a venda de modelos ainda em estoque.
Pedido de prorrogação
Em carta enviada em 1º de dezembro a várias agências de segurança, Welsh cobrou a realização imediata da auditoria ou a prorrogação do prazo, alegando falta de tempo hábil: “Até agora, nossas ofertas de cooperação não foram respondidas”. Ele ressaltou que o texto do orçamento, aprovado sob a Seção 1709 da Lei de Autorização de Defesa (NDAA) para o ano fiscal de 2025, não designa qual órgão deve comandar a análise.
Pressão crescente sobre a fabricante chinesa
O possível bloqueio agrava um ano difícil para a DJI. A empresa relata ter tido carregamentos retidos pela Alfândega dos EUA sob suspeita de uso de trabalho forçado, acusação classificada como “falsa e sem fundamento”. Em outubro, a companhia recorreu de decisão judicial que manteve sua inclusão na lista do Departamento de Defesa como “empresa militar chinesa”, status que proíbe contratos federais.
A despeito das turbulências, a DJI afirma que sua rede de parceiros comerciais no país cresceu 200% entre 2023 e 2024.
Rantizo muda de rumo e lança a American Autonomy
O cenário incerto já provoca rearranjos no setor. A Rantizo, prestadora de serviços de pulverização com drones DJI, vendeu essa operação a um grupo privado e criou a American Autonomy Inc., voltada a software para o mercado de drones agrícolas dos EUA.
“Previmos que a DJI seria banida e que isso abriria espaço para novos fabricantes”, disse a CEO Mariah Scott. A companhia desenvolve o Acre Connect, sistema que integra dados de voo a plataformas como o John Deere Operations Center. O primeiro acordo foi fechado com a Exedy Drones, que produzirá aeronaves em Michigan.
Scott afirma conversar com cerca de 50 fabricantes interessados em entrar nesse nicho, aproveitando componentes modulares hoje disponíveis e buscando nacionalizar a cadeia produtiva para driblar tarifas e futuras restrições.
Novo mapa da pulverização aérea
Entre os candidatos a ocupar o espaço da DJI estão empresas estreantes e marcas que antes não atuavam na pulverização. Enquanto a norte-americana Guardian Agriculture encerrou atividades, outras buscam avançar em aplicações de precisão, sobretudo em áreas irregulares, lavouras irrigadas e condições climáticas instáveis.
Em paralelo, a Hylio captou cerca de R$ 10,2 milhões (US$ 2 milhões) para ampliar sua capacidade de produção, reforçando o discurso “feito nos EUA” como diferencial competitivo.
Com a decisão sobre a Covered List se aproximando, fabricantes, prestadores de serviço e produtores rurais acompanham de perto um processo que pode redefinir rapidamente o mercado de drones agrícolas norte-americano.
Com informações de AgFunderNews