O papel de soluções digitais e automatizadas na operação e manutenção (O&M) de parques fotovoltaicos foi o foco de uma sessão da Week Europe 2025, conferência virtual organizada pela pv magazine. Especialistas de empresas de geração independente (IPPs), EPCs e fornecedores de software destacaram como drones, gêmeos digitais, inteligência artificial (IA) e cibersegurança estão redesenhando processos de O&M em um setor que cresce rapidamente.
Expansão da capacidade exige nova abordagem
Hind Abdulla, pesquisadora da Universidade Khalifa (Emirados Árabes Unidos), lembrou que a simplicidade do design dos sistemas fotovoltaicos criou a falsa impressão de que requerem pouca manutenção. Com a expansão da capacidade instalada, investidores passaram a adotar monitoramento por drones, termografia e diagnósticos baseados em IA para evitar degradação acelerada e perda de receita.
Abdulla observou que a manutenção prescritiva — evolução da manutenção preditiva que recomenda a ação certa no momento ideal — ganha espaço, permitindo priorização eficiente de reparos e alocação de recursos conforme o impacto no desempenho.
Automação e escala
Andreas Stordal, vice-presidente de Otimização de Produção da Scatec Asa, afirmou que a companhia aposta em automação, robótica e drones para garantir que seus ativos cheguem “à meia-idade em boas condições”, com ênfase em monitorar a saúde dos módulos. Segundo ele, o aumento do porte dos parques e a entrada de sistemas híbridos com armazenamento trazem desafios que exigem base digital robusta.
Gêmeos digitais e interoperabilidade
Werner Coppye, diretor de tecnologia da 3E, detalhou como gêmeos digitais fornecem réplica virtual atualizada em tempo real, oferecendo visão completa da usina e possível vantagem competitiva a grandes proprietários, desde que haja interoperabilidade entre plataformas.
Drones mais acessíveis
Paul Fontaine, CEO da SkyVisor, mencionou a queda no preço de drones e a nova legislação europeia que simplifica o uso desses equipamentos, impulsionando inspeções aéreas em O&M.
Qualidade dos dados antes da IA
Daryl Lu, CEO da LCOE.ai, alertou para a dificuldade de muitas organizações lidarem com dados “silo” e defendeu que o valor esteja na inteligência aplicada, não na adoção de tecnologia pela tecnologia. Manuel Llenas, diretor regional da GreenPowerMonitor (DNV), acrescentou que a definição clara de objetivos é essencial para o sucesso de projetos de IA, variando conforme o tipo de ativo, seja telhado solar ou campo com milhares de módulos.
Cibersegurança, item não negociável
Fabian Michel, chefe de Cibersegurança e Tecnologia Operacional da Belectric, frisou que ataques podem desligar plantas e afetar a rede elétrica, razão pela qual firewalls de última geração com proteção avançada devem ser padrão. Wojtek Swietochowski, diretor de solar da Abo Energy, reconheceu o custo elevado, mas lembrou que requisitos legais e contratuais já tornam a proteção obrigatória, citando inversores como pontos vulneráveis.
Normas em evolução
Swietochowski, que também é vice-presidente da força-tarefa Lifecycle Quality da SolarPower Europe, afirmou que melhores práticas de hardware e software mudam rapidamente e, por isso, diretrizes podem ser mais eficientes que normas rígidas. Ele sugeriu que, em determinados casos, o repowering após cerca de dez anos pode ser a melhor forma de garantir retorno sobre o investimento.
As discussões mostram que a digitalização avança para atender à demanda por operações eficientes, seguras e capazes de acompanhar o rápido crescimento da energia solar na Europa.
Com informações de pv magazine