A comercialização da safra 2023/24 de soja avança em ritmo lento e pode comprometer a rentabilidade dos produtores no primeiro semestre do próximo ano, advertiu o analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado, em participação no programa Soja Brasil.
Segundo Silveira, novembro foi marcado por forte volatilidade na Bolsa de Chicago, impulsionada pelas negociações entre China e Estados Unidos. Os contratos do grão oscilaram de US$ 11 para US$ 11,50 por bushel, faixa equivalente a aproximadamente R$ 55 a R$ 57,50. “Tivemos tensão inicial, mas a China fechou acordo para buscar até 12 milhões de toneladas de soja norte-americana até dezembro”, lembrou.
No Brasil, os prêmios nos portos recuaram, acompanhando o movimento externo. Houve picos de preço no mercado interno, mas em seguida as cotações se estabilizaram. O analista relaciona as oscilações a fatores como câmbio, clima e a política comercial entre os dois maiores consumidores mundiais.
A ausência temporária dos relatórios semanais de vendas dos EUA, provocada pelo shutdown no país, aumentou a incerteza. Com a retomada das publicações e o relatório de novembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), ajustes importantes foram feitos nas estimativas da safra norte-americana.
Safra brasileira avança, mas ritmo de venda preocupa
Com o plantio quase concluído no Brasil, Silveira destacou replantios pontuais provocados por atraso nas chuvas no Nordeste, problemas localizados no Paraná e lentidão em Minas Gerais. “Mesmo assim, os mapas climáticos apontam para uma safra muito boa”, afirmou.
Apesar da perspectiva positiva para a produção, a comercialização segue atrasada em relação a anos anteriores. “Se o produtor não antecipar fluxo de caixa e travar preços, pode sofrer perdas de margem, porque a expectativa é de viés baixista no primeiro semestre”, ressaltou.
Para evitar surpresas, o analista recomenda ampliar as fixações, usar travas na Bolsa e garantir previsibilidade financeira. “Não é aconselhável manter grandes volumes disponíveis para vender lá na frente, num cenário possivelmente desfavorável”, concluiu.
Com informações de Canal Rural